Oblívio

Era a véspera de Ano Novo e o bar estava cheio. Tinha sido reservado para uma festa e não havia uma mesa vazia ou um copo seco.
As pessoas estavam espalhadas pelo Karaoke ou amontoadas numa mesa a palrar ou a jogar alguma coisa. Muitos estavam na rua a fumar e a tremer de frio, só com o álcool para aquecer.

Menos ela. A única mulher a não arredar pé do balcão e a meter conversa com o empregado que podia agora respirar.
Já não faltava muito para a contagem e, em breve, iriam todos para a rua. O melhor tempo para abrir a garrafa escondida e beber sozinho os segundos que faltavam para o próximo ano.
Mas ele reparou nela e achou-lhe piada.
“Gosta mesmo de conversar em bares?” brincou.
“É o melhor lugar.” Mexeu a bebida no fundo do copo. À frente tinha uma taça com batatas fritas.
“Vou concordar. Tens nome?”
“Mariana.“
“Olá, Mariana. Prazer.”
“E tu?”
“Hum” pensou para o ar. “Servente.”
“Servente?”
“Porque sirvo pessoas.”
“Trabalho de cão…” bebericou a bebida.
Poisou o copo em cima da base e suspirou uma nuvem quente de álcool.
“Tem dias.”
“Também lido com pessoas. Não sou fã.”
Ele acenou e voltou a encher-lhe o copo. Tirou a sua garrafa escondida e abriu-a à frente da Mariana.
“Faltam cinco minutos.”

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