Os Homens do Tempo

A meteorologia está em todo o lado na nossa vida. Influencia a saúde, o humor e os temas de conversa – ou a falta deles.
Molda culturas e dá uma mãozinha na economia.


Há quem viva dela, da meteorologia. Os homens do tempo apareciam na televisão, logo a seguir ao telejornal. Ou na rádio. Alguns escreviam para os jornais, sites ou contribuíam para aplicações úteis. Os antigos sabiam de danças, de encantamentos ou de patranhas para invocarem a chuva. Sacrificavam a deuses, rezavam a santos ou desenvolveram ciências. Criaram lendas e escreveram almanaques.
Os homens do tempo estavam por todo o lado. Aquele escritório no andar abaixo? Talvez.

A nossa personagem era um estagiário do tempo. E tinha uma cara honesta. O formador fazia questão de lhe dizer isso, mas a primeira vez fora na resposta à candidatura.
E o que era uma cara honesta? A definição poderá variar de pessoa para pessoa, mas neste caso eram os olhos do estagiário e como recebiam as outras pessoas. Eram poças de água límpida, onde se podiam saltar num dia de Outono e sentir aquela pica de criança. E quando sorria, apenas revelava o número certo de dentes para não intimidar, as mãos gesticulavam q.b., mas não chegavam a tocar.
Também se considerava boa pessoa no sentido em que somos todos boas pessoas por não arrancarmos uvas no supermercado ou esfregarmos o dedo no sal do bacalhau. E porque iam lá outros com as mãos e não sabíamos onde tinham andado. Bondade com um pouco de autopreservação.

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