Shining Resonance Refrain | Nintendo Switch

Este teve uma sorte brutal em ter sido terminado!
Até anunciei no Twitter que seria a primeira baixa de rage quit, mas quando acordei bem disposto na manhã seguinte, decidi dar-lhe uma última oportunidade.
Então, em silêncio e com a minha caneca do Super Mario cheia de café, lá fui a umas rondas de grinding. Não que tivesse subido muito de nível, mas deu para ganhar uns trocos e comprar mais itens de recuperação. E, à terceira tentativa, lá passei aquele pico de dificuldade parvo nada ensopado em suor, mas estive isto de desistir e meter o jogo na pilha para vender…

A melhor descrição deste jogo é aquela que os meus pais ouviam nas minhas reuniões de turma: é um bom aluno/jogo, mas não se esforça.
Shining é preguiçoso, mal equilibrado e com potencial para ser melhor, mas ainda assim mereceu o meu investimento de tempo, apesar dos problemas.
O enredo é interessante, mesmo com as tropes de anime e simulação de waifus; mete dragões ao barulho e adoro dragões, guerras antigas, destruição do mundo e… música pop? Ao que parece, o dragão-mor distribuiu instrumentos musicais pelos seus guerreiros para os ajudar na batalha contra o mal que, já sendo cliché, envolve uma religião e um deus selado.
As personagens são genéricas, e nem falo do principal, mas as suas interacções (e são bastantes) são o melhor do jogo, podendo levar a vários finais consoante o nível de relacionamento; fui posto de lado, infelizmente e nem percebo porque falei com todas e todos!

O herói genérico!

Agora a parte que me deixou mais desiludido: para um jogo com foco na música, esta deixa muito a desejar. OK, não é um Stella Glow ou Tokyo Mirage Sessions ♯FE com o seu pop pastilha elástica que fica no ouvido, mas aqui as músicas são repetidas e desinspiradas, até a lendária música do dragão e que esperamos um jogo inteiro para ouvir é m-e-h para não dizer pior. Existem várias músicas com as respetivas habilidades de suporte, mas parecem todas iguais, mas é fixe ver a equipa a fazer das suas armas instrumentos.
Onde Shining brilha (pimba!) é nos gráficos vibrantes e coloridos, mesmo na Switch, mas são meio que desperdiçados em sequências brutais (a roçar o épico) com duração de segundos; o resto da acção decorre com imagens estáticas e muitos, mas muito diálogos; os mapas são básicos e o facto de não existir fast travel implica que os vamos ver uma, duas, três, quatro, tantas vezes.
Em pleno 2020, não haver fast travel num jogo destes é uma omissão gritante e quando começava uma missão, suspirava a olhar para o mapa.

E nem falo nas missões!
OK, falo: são aos pontapés; mas daqueles pontapés genéricos e que se repetem para sempre. Honestamente, nem valem a pena o esforço, fiquem-se por explorar as masmorras do Grimoire se precisarem de treinar e está feito. Fora isso, o jogo é bastante linear e curto, mas com um enchimento artificial por andarmos a correr de um lado para o outro.

Com duas dificuldades iniciais, Shining também não é complicado, mas tem uns picos de dificuldade desiquilibrados e uma secção que nos proíbe de jogar com uma equipa completa. Obriga-nos a roda pela equipa porque os que estão no banco não ganham experiência. Fora isso, passa-se na boa, mesmo com bosses atrás de bosses. É um misto de estratégia, boa preparação e git gud.
O jogo começa também com dois modos, o normal e o Refrain que introduz duas personagens que não davam para jogar no original e isto levanta alguns problemas de consistência porque podemos tê-las na equipa e estar a lutar contra elas antes de as “desbloquear”, portanto guardem esse modo para uma segunda volta.

Mas iremos querer uma segunda volta? Epá, não.
Com uma lista enorme de jogos, este já teve sorte de ter tido uma segunda oportunidade!, mas apesar de todos os problemas, por que o acabei?
Em parte, pelo enredo que me apanhou desprevenido, admito. E pela acção. O combate é mesmo divertido e mesmo que pareça simples, só para martelar botões, há uma certa estratégia nas combinações de equipamento/habilidades/relacionamentos e equipa, tanto que dei por mim a derrotar inimigos vinte níveis acima do meu!

Não é que fui rejeitado por todas e todos?!

Diverti-me com Shining, mas não muito, mas vai ficar na colecção de JRPG.
Lamento que a minha entrada nesta série icónica de que tanto ouvi falar no liceu pelo meu colega Paulo, tenha sido pelo jogo mais fraco, mas talvez um dia invista tempo nela.
Agora vou é para o Wonderful 101!

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