Yo-Kai Watch | Nintendo 3DS

O meu primeiro contacto com a série Yo-kai Watch (e não me posso esquecer do hífen em yo-kai) deu-se na sede da Nintendo aquando da sua apresentação.
Não fazia ideia do que ia testar, mas… gostei!, só que as comparações com Pokémon/Digimon e outros mons não demoraram. Afinal, Yo-kai Watch é/era mais uma série com dedos em várias tartes: animação, jogos, merchandise etc.

Comecei por Pokémon, com a série e os jogos nas suas versões Yellow, Gold, Silver e com o Sun anos mais tarde. E senti, na minha opinião, que os jogos eram praticamente iguais, tirando as novas criaturas e a transição para o 3D. Fora isso, estava a jogar o mesmo jogo do Game Boy, com as mesmas personagens genéricas, desde o herói ao vilão.
E como a estória não é o forte de Pokémon e há zero esforço e/ou vontade de inovar, praquiê?, se vendem que nem pães quentes?

O fiel mordomo e tutorial!

Quis mergulhar nas séries rivais: Digimon e Yo-kai Watch.
Digimon tem uma série que me fez faltar às aulas para chorar sozinho, as várias temporadas metem qualquer uma de Pokémon a um canto, só que os jogos… não são grande coisa.
Acabei os Cyber Sleuth há uns mesitos e consegui gostar. O ritmo da duologia era horrível – as vinte, ou mais, horas de jogo bem que podiam ser umas dez concentradas porque as estórias até que eram boas!, assim como as mecânicas de treinar, lutar e digivoluir os bichos até termos os nossos companheiros favoritos.
Pesando defeitos e qualidades, os jogos de Digimon apostam em estórias maduras, arriscam e experimentam com novas jogabilidades, mas isto não é sobre Digimon, mas sobre Yo-kai.

Eu estava à espera do port para a Switch, mas depois de saber que a Level-5 ia deixar de operar fora do Japão, fiz-me ao piso e comecei mesmo pela 3DS e se acabasse por gostar do jogo, comprava as sequelas. Só fico a chuchar no dedo porque não vou jogar o último que não foi localizado, mas na boa.
Yo-kai é uma série mais virada para as crianças, mas com laivos de profundidade nas origens das criaturas, os yōkai, pois envolvem quase sempre a morte de alguém. Isto porque os yōkai não são animais reais ou digitais, mas espíritos do folclore japonês. Estes espíritos assombram os mais mundanos dos objectos e escondem-se entre as pessoas, mas para serem descobertos, é necessário usarmos um relógio especial. Relógio esse, onde inserimos os discos das criaturas para as invocar nas lutas.

A estória do jogo é bastante básica e gostei que assim fosse.
Os capítulos correspondem aos episódios da série que tentei ver, e não fiquei fã. E não há problema nisso, a série é muito boa, mas é daquelas séries para acordar cedo a um sábado e ver enquanto comemos cereais. Também adorei os filmes dos Guardians of the Galaxy, mas quando tentei ler a BD, jurei para nunca mais. Diferentes pessoas para diferentes meios?
Cada capítulo introduz uma assombração que temos de resolver e, no final, podemos travar amizade ou com os parceiros que se juntam a nós, ou com o inimigo. Todo o jogo revolve à volta da amizade e das relações entre pessoas e os yōkai.
Se já viram este tema em algum lado, é porque não é nada original, mas soube bem para descansar de coisas mais sérias enquanto lutava contra espíritos idosos que dão fome, gatos mauzões com cabelo à greaser, cães com cara de pessoa ou aves com ranho pendurado.

Que susto!

E se uma imagem vale mais do que mil palavras, quero dizer que a localização deste jogo está tão, mas tão boa, que conseguiu a proeza de manter os trocadilhos dos nomes dos yōkai, Fartei-me de rir com o jogo e isso é um óptimo sinal; um sinal de que estava a jogar algo bom e, com o meu backlog, nem senti necessidade de me apressar para outros jogos.
Mas nem tudo era bom: o combate era a modos que estranho e andei mais vezes perdido do que a jogar.

Demorei a habituar-me ao primeiro porque não controlamos os yōkai – eles atacam sozinhos como num Xenoblade e só ativamos as habilidades especiais através de breves mini-jogos; depois, a equipa está disposta num círculo que temos de girar para alterar a equipa sem interromper a batalha. É tudo muito dinâmico e não há um minuto a perder, nem mesmo quando temos de esperar para usar o próximo item.
Quando a coisa entranhou, já girava a equipa para me curar e voltar ao ataque, selecionava os pontos de ataque nos bosses e treinava os espíritos porque estava quase sempre perdido! O mapa inútil e o meu péssimo sentido de orientação deram as mãos para me complicar a vida e só no final do jogo é que descobri o fast travel e que dava para escolher as quests para as ver no mapa… Decididamente, eu estava assombrado pelo yōkai da burrice.

You spin me…

Acabei com umas vinte horas, com a maior parte das missões feitas e com bastantes criaturas na colecção. Cumpri a minha promessa e já tenho as sequelas comigo, mas quanto ao quarto capítulo que, por este andar, não vou jogar… resta-me esperar por algum milagre.
Terminando como comecei, os Cyber Sleuth e o Yo-kai Watch mostraram-me que não sou demasiado crescido para o género, que ainda consigo alternar entre jogos “adultos” e “infantis”; apanhar e treinar monstros e rir-me com as coisas mais tolas.

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