Odin Sphere Leifthrasir | PlayStation 4

Este jogo é simplesmente fantástico!, mas tem o mesmo problema que uma estória que escrevi durante o Writober de 2018: o enredo era bom (disseram-me), mas as várias personagens principais e respetivas introduções tornaram-na num pára-arranca, quebrando a fluidez da coisa.
E Odin Sphere tem um enredo tão lindo, partes épico, partes triste, mas o pára-arranca para introduzir as diferentes personagens, aborreceu-me um pedacito.
São cinco: Gwyndolyn, Oswald, Mercedes, Cornelius e Velvet – repetimos todos os mesmos cenários e com todas elas; à terceira volta já revirava os olhos, mas quando me meteram a controlar a Mercedes, o jogo deu um pinote na jogabilidade e arrebitei.

O belo e trágico elenco.

E teve mesmo muita sorte: se a escrita fosse má, nem passava dos primeiros actos, mas misturam-me mitologia nórdica com uma jogabilidade rápida e fluida, uns toques de RPG, com visuais lindos de morrer e uma banda sonora encantadora. O que ia fazer? Uma pessoa não é de ferro e personagem após personagem, ia virando as páginas deste conto de fadas.
Literalmente, porque cada acto correspondia a um livro; com um livro final para atar tudo.
Sim, os percursos das personagens não são assíncronos e se andarem um pouco confusos com a ordem de acontecimentos, não se preocupem porque eu estive aí e é normal, mas se consultarem a cronologia incluída no jogo, vão poder ver quando, onde e como estão a acontecer os eventos E tudo fica claro, e bem quando acaba bem, ou não…

O jogo é desafiante e demora o tempo que quiserem.
Desde receitas, trials a uma personalização dos atributos das personagens, é fácil perdermos a noção das horas, mas que é viciante percorrer os mapas que, sendo breves, escondem o grosso do iceberg, é. E eu comecei por explorar e a apanhar tudo, mas quando topei que estava a repetir os mesmos níveis, mas com outras personagens, não quis ficar burned out e avancei com a história.
Se não quiserem explorar ou apostar na costela RPG, o jogo não vos deixa da mão e é tão fácil subir de nível; se não for em combate, podemos ficar mais fortes através de sementes que apanhamos e de pratos que nos cozinham.

Mercedes <3

E ia acabar sem voltar a mencionar a arte?
Este Odin Sphere é um jogo da PS2 e a PS3 já andava por aí quando foi lançado; a Vanillaware podia ter seguido um caminho fácil com um 3D manhoso de jogos de fim de geração e picado o ponto, mas ao optarem por um estilo 2D, não só revitalizaram uma arte desenhada à mão, como vincaram o estilo do estúdio. Dizer que me apaixonei pelas ilustrações, pela cor e pelo efeito de teatro de papel é dizer pouco, mas ainda bem que pude ver e jogar este jogo – mesmo sendo uma versão remasterizada.
Ouvi os diálogos em japonês e em inglês, mas optei pelos últimos por achar que faziam pandã com o ambiente teatral, muito shakespeariano, e com uma banda sonora incrível que comecei por achar ser da Yoko Shimomura (não era) pelo estilo da abertura, com cada personagem ou emoção acentuada pelas melodias oníricas.

Arrisquei neste jogo porque não paravam de falar do 13 Sentinels: Aegis Rim e quis começar por baixo e pelo mais barato.
Posso admitir agora, que me apaixonei pelo estilo e pela escrita da Vanillaware. Quero o Dragon’s Crown Pro, para depois terminar no 13 Sentinels: Aegis Rim e deixar de ter fomo. Eu não devia estar a adicionar mais jogo à lista, mas eu e bom senso não somos amigos…

Não é para perceber, é para comer…

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