Hyrule Warriors: Age of Calamity | Nintendo Switch

Mas Hyrule Warriors não é Zelda!, bradam os entendidos na matéria.
Então, mas e o Cadence of Hyrule?, e os outros que não tiveram a mão da Nintendo?
Estou bem tramado com estes não-Zeldas que mais parecem fanfiction… E só aqui entre nós, se toda a fanfiction for do calibre deste Age of Calamity fico bem feliz e de barriga cheia.

Recordo-me de ter comprado a Nintendo Switch pelo Breath of the Wild; estava apaixonado pela nova consola híbrida e um novo Zelda era mel – gostei, não adorei, mas gostei muito, e em 2019 escrevi umas palavras mázinhas quando voltei para a expansão.
Os dois anos foram suficientes para achar o Breath of the Wild um Zelda mediano, mas um bom jogo de aventura e de exploração.
Consigo reconhecer a intenção de arriscarem e de inovarem, explorarem um mundo novo, aberto, desolado e novas mecânicas – e espero que assim continue. Havia uma certa subtileza e nostalgia na narrativa que acompanhava os novos visuais e arranjos musicais mais plácidos.
O completo oposto da fanfarra deste Age of Calamity que é tão explosivo como o fogo de artificio da noite de São Pedro, no Montijo. Sim, é uma metáfora positiva porque as festas de São Pedro são sinónimo de diversão e, neste ano de pandemia, tive zero disso!

Oh, we’re so on!

O meu primeiro contacto com o género musou/warriors foi através do primeiro Hyrule Warriors, depois veio o Fire Emblem Warriors, dois Pirate Warriors que detestei (e eu amo One Piece!) até chegar aqui. Tenho outro a chegar (surpresa…) e rezo pela localização do Persona 5 Scramble: The Phantom Strikers!
E o que é um musou, senão um género de jogos para desligar a cabeça depois de um dia daqueles, que ignora as leis da gravidade com golpes de espada, onde vai tudo pelos ares.
São jogos que me fazem sentir mais fixe e heroico, sem grande ênfase nas estórias que só estão lá por estarem: são as tais fanfiction. E a fanfiction também tem direito à vida e de ser melhor do que o material de origem, como este Age of Calamity que é ligas melhor do que o Breath of the Wild! E nem estou a escrever isto de boca cheia, é mesmo o que acho.

Se o BotW assentou os alicerces de um belo e trágico prólogo, o AoC constrói sobre eles e melhora-os.
Muitas das horas com o primeiro foram passadas a olhar para trás para enfrentar o presente, mas não me senti envolvido, não me relacionei com aquele mundo e feitos – com os Campeões e como caíram nas suas Divine Beasts, como surgiu a Calamidade e como raio perderam a batalha? Os bosses eram-me indiferentes e até o Ganon era desinteressante, morto com uma intervenção divina de última hora para um final seco. Faltou-lhe algo…
Muitos algos que achei que Age resolveu, desde o desenvolvimento das personagens ao eventual sacrifício, às grandes batalhas e à demanda desesperada para a princesa Zelda conseguir salvar tudo e todos.
Agora sim, senti-me imerso na estória!, com aquelas sequências animadas ou com as vozes que vieram melhorar estes dois últimos Zeldas! Algo para continuar, por favor!

Esses algos já não me deixam desassociar os dois jogos, que já os vejo como dois lados da mesma moeda: luz e escuridão, subtileza e fanfarra, passado e futuro. Futuro!, e presente, e passado também. Se não entenderem, vão entender logo nos primeiros momentos da abertura (detalhe que podia bem ter-me estragado o jogo, mas que funcionou!)
Eu não esperava aquela estória, mas um jogo na mesma veia do Halo: Reach, um prólogo trágico que os fãs conhecem tão bem e que lançou a série de jogos de ficção científica; e eu queria isso porque sou masoquista e adoro uma boa choradeira, mas não me queixo. Assim, tiveram liberdade para brincar um pouco e carregar com doses de fanservice porque os musou também são muito disso.
Mas houve tempo para os momentos tristes, para outros mais épicos, para o humor e para a leveza; as personagens tornaram-se mais interessantes e acabei a aventura com uma nova admiração pelo Breath of the Wild.
Não tivesse um backlog e até o repetia…
Ainda em liberdade e fanservice, os musou também permitem jogar com outras personagens para além da principal, sejam heróis secundários, vilões ou outras mais peculiares. Poder controlar a Impa e a Mipha que se tornaram em favoritas foi fantástico e não vão demorar até terem outros favoritos; nenhum vai tirar o lugar ao Link que é dos guerreiros mais versáteis, mas cada personagem é única e não parecem clones dos outros, com movimentos, armas e estilos bem próprios. E pilotar as Divine Beats?!
É de uma adrenalina puxar combos atrás de combos para dizimar Lynels e Guardians que invadem o castelo e martelar os botões para fazer ataques especiais até ficarmos com drift!

Sai da frente, Guedes!

Porque o foco é o combate, trocaram o mundo aberto por um “jogo de tabuleiro”, onde fazer sidequests é tão fácil como clicar num botão.
Os desafios e fetch quests são bastante intuitivos e com o propósito de preparar Hyrule para a calamidade, melhorar equipamento, cozinhar para aumentar os atributos e treinar habilidades.
Há um sentimento de recompensa imediata e de vício que me fez fazer tudo até ao capítulo cinco (são sete), mas assim que chegou a Series X, não me quis demorar mais e fui acabar o jogo. Também não perdi muito, só um vídeo secreto que podem ver por aí.
Os loadings
demorados e o desempenho à lá apresentação de PowerPoint quando acontece muita coisa no ecrã são o que não devia acontecer hoje em dia, principalmente quando a Nintendo é exigente com a sua marca e jogos; a ausência do modo de desempenho com 60 fps é estranha, mas talvez tenha sido da pandemia ou de estarem limitados a trabalhar…
Ainda assim, estou satisfeito pelo anúncio surpresa, pelo lançamento sem atrasos e por um senhor jogo, com uma senhora banda sonora que pegou nas composições já excelentes da prequela e da série para lhes dar um toque mais… efusivo! Do mais triste ao mais épico, os temas arrancam emoções e aqueles momentos finais acompanhados da música que tanto amamos são qualquer coisa de memoráveis.

Espero e desejo que a Nintendo tire lições deste jogo e que não se esqueça dele, que aproveite mecânicas e momentos e capriche na sequela porque agora só há um caminho (ou vários) a seguir…
E se me obrigarem a dar valores ao que escrevo, o Breath of the Wild seria um seis e este Age of Calamity seria um sólido nove, não fossem os problemas técnicos e seria um dez. Talvez o BotW 2?

Omae wa mou shindeiru!

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