GreedFall | Series X

Só não entendo porque raio o jogo não tem um minimapa!
Perdi a conta das vezes que tive de o pausar para consultar os dois mapas – os dois mapas! – para me orientar pelas três grandes cidades e pelo resto do mundo. Vá, muitos dos cenários são cópia/cola de outros, mas a questão é que há tantos segredos para descobrir, baús para abrir e outros detalhes tais que dava jeito saber se virei no sítio certo ou se estou na ponta oposta do mapa (aconteceu demasiadas vezes para o meu gosto…). Não ajuda já ter um péssimo sentido de orientação na vida real, não preciso de sofrer num jogo. Mesmo com sete Yakuzas em cima, ainda me perco em Kamurocho

Começo forte, mas também já disse, e não tenho problemas em repeti-lo: GreedFall não é o jogo mais bonito ou polido, mas caramba se não é dos melhores jogos que terminei… neste ano!, E pausa para o suspiro exasperado que deram.
A estória, o lore, as personagens, as mecânicas e o combate prenderam-me desde as primeiras horas, assim que terminei a criação da minha De Sardet. O que mais adoro num RPG, seja J ou W, é a sua capacidade de imersão, puxarem-me pelos colarinhos para um mundo radicalmente diferente do meu, onde possa viver uma ou mais vidas diferentes.
Por norma, contento-me com enredos satisfatórios e parto para outros quando os termino, mas de quando a quando, lá tropeço numa pérola – os KOTOR, o primeiro The Witcher, o Dragon Age: Origins e o Vampyr! Sem dúvida que existem muitos outros por aí para me perder nas suas horas, mas agora quero “falar-vos”, e muito bem, deste GreedFall e porque o devem jogar ontem.

O jogo não tem um início lento: assim que criamos a nossa personagem e respectiva “classe”, somos logo abordados para o primeiro combate para nos ensinarem o básico. GreedFall não inventa a roda, mas tem algumas mecânicas catitas que dão alguma variedade à coisa; desde o trocar de armas em segundos ao puxar de uma arma de fogo; a nossa personagem também pode manipular alguma magia básica ou recorrer a anéis encantados.
Mas mais importante do que resolver conflitos à pancada, é investirmos pontos em Carisma e Intuição para nos entendermos a falar. Não há nada mais cool do que a palavra certa no momento certo; e ainda ganhamos pontos por isso!
Esta mecânica está directamente ligada à estória e à nossa personagem, uma vez que De Sardet é um Legado (ou Embaixador); a sua missão quando embarca para Teer Fradee, uma ilha tão misteriosa como perigosa, é servir de elo entre as várias facções e os nativos, como quem diz: para acalmarem o nervo e deixarem de se matar. Ah, e encontrar a cura para a praga Malichor que aflige o Continente. É quase a típica narrativa do explorador versus nativo, com uma mensagem ambiental, de família e de pertença bem forte.
Cada facção (navegadores, soldados, mercadores, religiosos e nativos) tem a sua mentalidade e interesses, daí que o nosso comportamento para com elas pese consideravelmente até ao final do jogo; embora seja possível sermos persona grata com todos, tentei jogar de acordo com as minhas crenças pessoais; mas façam várias campanhas como bom polícia/mau policia para deixarem o mundo arder.
Se trabalho é trabalho, conhaque é conhaque: no meio de tanta diplomacia e conspirações, ainda houve tempo para o romance e fiquei tão awww nos momentos finais com o meu par – joguei com UMA De Sardet e fiquei com o navegador Vasco! Se jogarem, reparem no quão lusitanos são os nomes de muitas personagens!

Pesem as palavras.

GreedFall também é um jogo que vive da personalização! Ele é capas, chapéus, uniformes, armaduras ou trajes nativos que se reflectem no jogo! Não chega? Encontrem uma mesa ou um ferreiro e melhorem as muitas armas ou complementem as roupas com adereços e acessórios. Tudo muito bonito até àquele clipping maroto…
A personalização não se fica pela estética e estende-se também às três árvores de desenvolvimento: os Atributos que dizem respeito à força, resistência etc; as Habilidades que desenvolvem a “classe” inicial e os Talentos que influenciam a nossa interacção com o mundo – e como abordamos as várias pessoas e missões; apostar em Carisma abre mais opções de diálogo, a Robustez treina a personagem para atravessar certos terrenos, o Lockpicking deixa-nos abrir baús ou portas e assim e assado. Isto dá-nos uma boa e apreciada liberdade para completar as missões, mas se tudo falhar, vai lá com golpes de espada.

Essas missões também vêm em três sabores: as principais de estória, as secundárias e as fetch quests da praxe. As últimas ignorei porque sou alérgico; as principais são… principais e obrigatórias para terminarmos o jogo, mas as secundárias são de uma qualidade e relevância para explorarmos e conhecermos a ilha, facções e companheiros – basicamente, grande parte do lore de GreedFall! Ainda me apaixonei pelo dialecto e sotaques e fiquei admirado pela intervenção dinâmica dos diferentes companheiros na resolução das missões.
A Siora é uma excelente mediadora entre os nativos, por exemplo, e as restantes personagens têm influência nas respectivas facções. Deixá-las brilhar e desenvolver a nossa relação com elas permite-nos usar os seus talentos. Isto é, se não tivermos pontos em Ciência, uma boa amizade com a Aphra deixa-nos criar poções básicas, uma vez que ela é a cientista do grupo.

Calma…

E são estes pequenos grandes detalhes que tornaram GreedFall numa boa surpresa para mim. No final do dia, consigo desculpar a falta de polimento, a ausência de qualidades básicas de vida, o aspecto que conseguia roçar o de geração passada porque… diverti-me. E é isso, às tantas da noite, a explorar uma floresta, acompanhado da excelente e atmosférica banda sonora de Olivier Derivière, nem senti cansaço ou vontade de terminar e partir para outro jogo. Estava ali bem e sou menino para repetir quando sair o patch para a nova geração ou se sair alguma expansão.
A minha atenção voltou-se também para o estúdio Spiders e lembrei-me que já tinha pegado num jogo deles, o Mars: War Logs, mas que nunca o acabei; cheira-me que vou ter de resolver isso!

Bora?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *