A Plague Tale: Innocence | Series X

Conhecem aquela sensação de começarem um jogo sem saberem nada dele? Foi quase o que senti aqui, apenas sabia que a Peste Negra e o contexto da Guerra dos Cem Anos eram dois dos temas centrais, mas de resto: nicles.
O meu interesse pelo Plague foi um pouco aleatório; queria experimentá-lo, mas como não o analisei, esqueci-o durante os meses do hype inicial. Depois, encontrei-o no Game Pass; descarreguei-o e joguei outras coisas. À medida que jogava, analisava e desinstalava jogos, voltei a descobri-lo resistente na biblioteca que nem devia estar a jogar para me focar no backlog – afinal, comecei esta rubrica para o despachar, e não para laurear a pevide.

Também andava com a ideia tola de que o jogo era um walking simulator, onde acompanhávamos dois irmãos durante aquela época horrível que, se franzirmos a vista, se assemelha aos tempos em que vivemos actualmente.
E desconhecia-lhe os elementos sobrenaturais que foram logo insinuados na abertura/tutorial quando a nossa personagem, a Amicia, descobre uma espécie de podridão a consumir os bosques da sua propriedade. Rapidamente, regressa a casa com o seu pai para encontrar a Inquisição (que nunca ninguém a espera) à procura do seu irmão Hugo.
No processo, muitos dos criados são executados enquanto nos ajudam a escapar e lá começamos o jogo com dois objectivos: proteger o irmão e descobrir a cura para o que o aflige, uma doença no sangue que pode, ou não, estar relacionada com os elementos sobrenaturais ou com a praga.
O resto é para descobrirem

Apesar do contexto histórico e da peste, o tema principal deste Plague é a família e os laços que criamos e testamos perante a adversidade. Para chegarmos todos ao destino, é preciso remar para o mesmo lado, uma boa dose de paciência e empatia. Podia continuar a espelhar com a situação actual, mas ao passo que basta ficarmos em casa e termos os cuidados básicos, em Plague a coisa pode ser mais hardcore: para sobreviver, ou optamos pelo confronto directo ou esgueiramo-nos pelas sombras.
As próprias mecânicas de combate são um puzzle e apreciei-as por se afastarem da espada ou magia clássica; Amicia só tem uma fisga e um punhado de pedras, mas ao longo do jogo vai aprendendo um pouco de alquimia que lhe permite criar soluções que fazem os guardas remover os elmos, expondo a cabeça àquele calhau certeiro; outras que os adormecem, explodem ou abafam fontes de luz – e quando cai a escuridão, surgem as ondas de ratos que consomem tudo por onde passam, amigo e inimigo.

Passava férias.

A atmosfera de Plague é soturna, opressiva, com raros feixes de esperança, e todas essas emoções são transmitidas num show, don’t tell (mostra, não contes) melancólico. Não senti que as personagem tivessem de me dizer que estavam mal, pois os excelentes visuais mostravam-no, existem partes no jogo de apertar o coração, onde se sente mesmo a decadência daquela época e, se não bastasse, Olivier Derivière (um nome que carrego das bandas sonoras de Vampyr e GreedFall) voltou a mostrar um grande à-vontade em temas medievais tristes e frios, lembrando os momentos mais tensos de um Game of Thrones no seu auge.
Com toda a honestidade, não há palavras minhas que possam fazer jus a este jogo. A Plague Tale deve e merece ser jogado para ser apreciado, mas admito que possa não ser para todos, mas para aqueles que apreciam uma boa narrativa e algo diferente. Não esperem por uma gratificação instantânea, este é daqueles que vai demorar no forno, mas quando estiver pronto…
Agora, se sobreviverem ao pico de dificuldade no final do jogo, a esta praga mais real e estiverem a ler isto em 2023, olá!

Nope: O Jogo

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