Valkyria Chronicles 4 | Nintendo Switch

Há que ser mais franco do que a Lídia quando falou do Adam Driver: estive quase a desistir nas primeiras missões para partir para outro jogo; fiz birra que os RPG tácticos já não eram para mim, mesmo tendo gostado bastante do primeiro Valkyria.
O que mudou? Simples: deixei-me de tretas e dediquei-me a sério à quarta entrada de Valkyria Chronicles que, para mim, foi a segunda. Olhe, sai um remaster das prequelas da PSP, se faz favor!

A premissa desta série de jogos é interessante: decorre numa dimensão paralela à nossa e durante uma grande guerra que também podia ser a nossa Segunda Guerra Mundial, com direito a muitas das tropes clássicas que assistimos no cinema ou na literatura – só que em anime.
Valkyria destaca-se pelos seus visuais animados, pelas cores vivas e por um estilo tão à pintura de aguarela que até pode ser dissonante dos temas pesados. Sim, parece um desenho animado normalíssimo, mas magoa-nos como gente grande.
E foi assim que me voltei a apaixonar, não pelo género dos RPG tácticos, mas por este jogo em particular.

A estória de VC4 abre com os amigos de infância Claude, Kai e Raz a alistarem-se na Federation Army no combate contra o Empire, na Second Europan War.
De início, os companheiros hesitam em seguir as ordens de Claude, conhecido por ser covarde, mas que rapidamente (e tipicamente ao estilo destes jogos) ganha o respeito e a admiração de todos.
Quando o adversário começa a ganhar terreno, o Pelotão E é recrutado para uma missão secreta de ou vai ou racha para acabar com a capital do inimigo e, assim, acabar com a guerra.
Ao longo de dezoito capítulos, o jogo aborda os temas do sacrifício, luto, utilização da bomba atómica (A2 no jogo) e da ética de utilizar e testar pessoas em nome da ciência e de um bem maior. Há quem possa achar que os temas são tratados ao de leve, mas Valkyria Chronicles não é um livro de História, mas um jogo. E como jogo, pode educar enquanto diverte.

A brincar, a brincar…

O diário do Claude conta esta estória em pequenos episódios narrativos que podiam ser mais fluídos, em vez de estarmos sempre a sair e a clicar no recorte seguinte. As páginas/episódios terminam em batalhas, que são a polpa destes jogos.
Se no primeiro Valkyria bastava treinar um Scout e correr mapa afora para vencer, aqui já é preciso alguma estratégia, manter um pelotão equilibrado e ponderar as próximas ordens.
As missões estão mais variadas, com mais objectivos para além de ocupar a base inimiga, e há várias maneiras de as completarmos: a certa, a errada e a minha; eu fazia render uma missão durante horas porque ignorava a solução mais básica e isso diz muito de mim na vida real: consigo resolver os problemas, mas demoro o meu tempo.
As novidades também se encontram na nova classe Grenadier e no modo Last Stand, onde um soldado gravemente ferido tem direito a um último suspiro heroico ou de inspiração.

Boom!

Valkyria vai pedir-vos bastante dedicação e disponibilidade; uma missão pode demorar entre cinco minutos a uma hora, e ainda são dezoito capítulos de estória principal, vários capítulos secundários para desenvolver personagens e outras escaramuças para treinarmos o pelotão.
A logística do jogo decorre fora do combate, onde podemos recrutar e dispensar pessoal; interagir na messe para aprendermos novas ordens; visitar as oficinas para melhorar o equipamento e o campo de treinos para desenvolver as especialidades de cada.
E cada um destes fios une-se numa corda robusta e de qualidade que é o Valkyria Chronicles 4, onde cada vitória é deliciosa e cada derrota é frustrante – não se preocupem, não há morte permanente se forem rápidos e também dá para gravar/carregar em qualquer momento.

Acabo com isto: sempre apreciei o tema bélico na segurança da cultura pop, desde os filmes mais conhecidos de Hollywood, às séries da HBO; aos internacionais (Come and See; Unsere Mütter, unsere Väter etc); dos mais sérios aos mais cómicos, e não pelas explosões e fanfarra, mas pelos momentos mais solenes, pelas personagens e pelo que passa pelas suas cabeças. Gosto mesmo da intimidade da guerra interior.
E também gosto de uma boa choradeira… E de ver coisas a rebentar no sistema de som! E de ficar arrepiado em momentos como a Marcha dos Rohirrim – eu sei, não é WW2!, é só um exemplo!
No fundo, gosto de feitos heroicos já que vivo uma vida banal.

Tanta flor!

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