Kingdom Hearts II | Series X

Eu acho isto inadmissível!
E com isto, refiro-me à ausência flagrante da minha opinião sobre o Kingdom Hearts II. Se não me tivessem avisado, continuaria na ignorância. Eu bem que a procurei no Glitch Effect, no meu disco e por aqui – mas nada de nada!
O que aconteceu? Acho que coincidiu com a altura em que tive um duplo burnout: da série e da vida real; engraçado se vier a descobrir que ambos partilham as mesmas origens: Disney! Depois, quando regressei e com planos de expandir este canto, é possível que tenha perdido o jogo do mapa para avançar com as sequelas e spin-offs que, se me leram, foram bem melhores.

Não seja por isso, vamos lá!, mas primeiro, um passeio pelas memórias: consegui arranjar a versão americana do jogo e estava extasiado por ser um dos primeiros, no meu grupo de amigos, a jogar. Qual foi o meu espanto quando vi que o jogo estava todo a preto e branco? Cum caraças… Parecia que estava a jogar o mundo do Steamboat Willie vezes cem!
Joguei a introdução e um par de mundos assim até arranjar um cabo RGB Scart com pinos dourados que me converteu a imagem – o resto foi magia.
Eventualmente, lá saiu na Europa (zero saudades destes lançamentos desfasados) e fizemos fila para o comprar com a sua capinha prateada – o resto foi… Não, já disse isto… Mas foi mesmo!, Kingdom Hearts II foi pura magia naquele ano: desde os visuais melhorados, jogabilidade inovadora e divertida, mais e melhores mundos! – até Atlantica se tinha tornado num musical! O que havia para não gostar? Na altura, e à falta de melhor: nada.

E quando todos queríamos usar um casaco destes?

Hoje? Hoje o discurso é diferente.
KH II foi um marco: se melhorou a série, também abriu as portas ao pior da série; enquanto a jogabilidade, gráficos e banda sonora vieram sempre a melhorar, as estórias tornaram-se desnecessariamente convolutas, com a presença de Final Fantasy a ser reduzida para fincar a da Disney através de acordos dúbios.
E isto criou uma instabilidade narrativa absurda porque passámos de um primeiro jogo equilibrado (na minha opinião), Disney + Final Fantasy + conteúdo original, para sequelas com primeiras partes absolutamente secantes que enchem um chouriço sensaborão. Sim, claro, interagir com a Mulan, Jack Sparrow e companhia foi bem fixe!, mas não passaram de fracas recriações dos seus filmes sem grande impacto no enredo principal e na misteriosa Organization que se estava a estrear.

Podemos ver isto como uma metáfora. Quando acabamos aquele triste prólogo do Roxas, este despede-se de nós com a célebre frase:

Sora… You’re lucky. Looks like my summer vacation is… over.

Sora, és um sortudo… Parece que as minhas férias de Verão… Acabaram.

Eu penso nas férias (em todas, não só nas de Verão) como tempos sem preocupações, inocentes, onde nada acontece para além do descanso e da diversão. Quando acabam, voltamos à vida real: à escola, ao trabalho, às preocupações e aos assuntos mais complexos que não têm lugar nas férias. Andamos de skate com o Roxas, comemos gelados, pensamos em ir à praia com os amigos… Mas o jogo tem de começar e este “desaparece” para dar lugar ao Sora, o protagonista que agora se veste de negro e tem de lidar com o drama e toda a complexidade do futuro da saga Kingdom Hearts
Perdemos a inocência, a vida deixa de ser simple and clean e damos por nós a perguntar o que raio está a acontecer várias vezes ao dia.

Se não choram aqui, não sei o que andam a fazer da vossa vida.

Se KH II reduziu o número das botas do Sora, estas começavam a desbravar novos caminhos estranhos e ambiciosos saídos da cabeça do Nomura; por muito que malhe no senhor, já tendo terminado a saga e o remake do Final Fantasy VII, queria ver o que ele consegue criar sem restrições superiores: da Disney ou de Final Fantasy, se for o caso.
É por isso que tenho curiosidade no Verum Rex… Só não lhe perdoo o tempo que demora em cada projecto, mas isso são outros quinhentos.
Pronto, está feito e bem feito! Obrigado pela leitura, pelos comentários amorosos, mas não fiquem acordados até tarde!

A minha cara quando terminei a saga.

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