Dragon Age: Inquisition | Series X

Marlon Brando disse, com um olhar pesado, Look how they massacred my boy (vejam como massacraram o meu filho) para demonstrar o que sinto para com a série Dragon Age.
Caí de paraquedas no primeiro Origns, mas adorei-o de tal maneira que comprei os DLC disponíveis e voltei a comprar a edição completa quando saiu a expansão Awakening; completei o jogo umas duas vezes e fiz os inícios de todas as personagens e respetivas classes. Ainda hoje revejo a batalha de Ostagar e suspiro por um jogo de Senhor dos Anéis com a mesma energia – em poucos minutos, aquela sequência consegue reunir um ambiente de epicidade e de puro terror quando vemos a horda de Darkspawn a avançar sobre os poucos valentes que ali se aguentam.
Tenho emoções mistas para com o Dragon Age II; desde os CTT a enfiarem o jogo pela caixa adentro, a correr do trabalho para casa e a ver a intro enquanto jantava, lembro-me de que gostei do jogo e da estória a um nível geral, mas achei que se afastou do que tornava Dragon AgeDragon Age! O drama dos cenários reciclados, o foco na acção, entre outros, deu-me saudades da altura em que os poucos problemas era terem usado a cara dos Geth nos monstros Fade...

Imaginem se o jogo fosse tão bom como neste trailer…

Mas vindo da escola dos Mass Effect que foram mudando com as sequelas, focando-as mais na acção, consigo entender que tenham/queiram evoluir ou adaptarem-se às exigências dos jogadores (clientes), mas pergunto:

Qual é o problema dos RPG?! Qual é o problema de um RPG com elementos de acção? Porque tem de ser sempre um jogo de acção com elementos de RPG?

É que se queriam melhorar o combate face ao segundo, pioraram-no. Ainda me recordo de coçar a cabeça por ter de gerir cada aspecto da minha equipa no Origins, ter de ajustar cada detalhe para conseguir sobreviver ou ir trocando de personagens para me adaptar a determinado boss, aqui só cocei a cabeça de tão estéril que o combate era.
Ao menos capricharam na personalização das personagens e da nossa fortaleza, porque o que interessa é o resto, como a estória ser boa, né?

Lutar contra os dragões ou jogar à paciência, venha o diabo e escolha.

Ai mãe, aqui vamos nós: sim, eu adorei a trilogia de Mass Effect. Ponto final. Gostei do Dragon Age II, mas odiei o Dragon Age: Inquisition.
Hm, talvez odiar seja demasiado forte, mas deixou-me triste pela oportunidade perdida de criarem um excelente jogo ao nível das prequelas e acho que a culpa é muito nossa; a maioria da comunidade é tóxica e não sabe se expressar sem recorrer à violência; a Bioware cede para agradar a gregos e a troianos e junta-se uma pitada de péssima gestão interna para nos servirem um jogo, no mínimo: “inserir encolher de ombros”.
O enredo é facilmente esquecível, passando-se um ano depois de Dragon Age II. As coisas estão longe de estarem em condições: entre guerras civis e revoluções, há uma tentativa desesperada de obterem a paz, quando a Divine Justinia V se reúne com as mais altas autoridades dos Templários e dos Magos.
Como não podemos tetudo na vida, uma enorme explosão acaba com todos os participantes, menos com a nossa personagem principal, e abre uma enorme fissura nos céus.
Entre suspeitas, elevações a estatuto de divindade, também nos é incumbido o papel de Inquisidor e porque nunca ninguém espera a Inquisição, lá vamos nós fechar fissuras, acalmar os ânimos entre os vários lados e descobrir o que raio aconteceu/está a acontecer para salvar o mundo de um caos iminente.

Aquele bigode e cabeça desproporcional!

Na teoria, este mote é bom e funciona. Não é original, repete o espírito do primeiro Dragon Age com a profundidade de uma poça de água, mas introduz uma mecânica da qual gostei bastante, mas que não foi desenvolvida por aí além: a War table.
Os conselheiros da nossa personagem reúnem-se aqui para nos orientarem de acordo com as respetivas especialidades; aqui desbloqueamos e completamos missões em tempo real e avançamos com a estória principal.
Gostei da ideia de nos afastarmos da acção para nos focarmos na estratégia: comandar soldados para acabar com um motim? Ou recorrer à diplomacia? Enviar espiões para sabotar ambas as partes? É à vontade da Inquisidora, mas… podia ser mais! (não melhor, apenas mais).
Alguns dos companheiros recrutados trazem os seus mercenários; pertencem a bandos de ladrões/espiões ou lideram outros pequenos grupos influentes e nenhum contribui para a War table, aumentando o leque de missões que podemos aceitar ou contribuindo com outras mecânicas interessantes.
E quando o jogo nos obriga a um grind idiota por pontos Power para desbloquear a estória principal?, é criminoso que muitas destas missões na War table não nos recompensarem nesse sentido. Então, como bons inquisidores, temos de andar por mapas abertos, vazios e desinspirados afora a apanhar pedritas, flores, entre outras fetch quest para ganharmos Power… Isto, porque o jogo não se decide se quer ser um MMO ou um RPG tradicional.
Existem, claro, missões mais interessantes e inseridas no contexto do jogo, como fechar as fissuras, investigar pedidos de ajuda ou até as missões pessoais dos companheiros, mas é quase tudo tão oco e sem estrutura que quando via que precisava de 40 pontos Power para avançar na estória, sentia-me tão abatido por voltar ao grind, MAS descobri um comerciante que vendia tratados que conferiam pontos Influence e Power! Ufa!
Bem dito e bem feito, queimei a palha e saltei logo para o final porque, apesar de a escrita ser bastante fanfiction… (e eu já escrevi fanfiction de Dragon Age!, um dia ainda a deixo por aqui…), tinha aquela curiosidade mórbida para ver o desfecho do jogo. E olhem: “inserir encolher de ombros”.
Quero que saibam que repeti esta expressão, não por desconhecer melhores ou por estar com uma dor de cabeça lancinante, mas porque é o estado de espírito geral do jogo.

Awww

Dragon Age: Inquisition é uma manta de boas ideias e intenções, mas feita sem interesse, amor ou brio. Vejam lá, por não conseguirem criar cabelos compridos, quase todas as personagens o têm curto, são carecas ou andam cobertas… e barraram uma camada de vaselina que deixaram os visuais a brilhar de tal maneira que tive de desligar o Auto HDR. Espreitem lá os mods e como resolveram estes problemas que nem deviam existir – voltei a ver partes dos Dragon Age anteriores e não entendo como conseguem ter melhor aspecto do que este último…
Entre bugs, animações toscas, cenários grandes sem necessidade, um momento musical constrangedor e um cameo do Loghain com a cara do Willem Dafoe (I’m kind of a Grey Warden myself; também sou um Grey Warden), salvam-se os companheiros e respetivas interpretações.
Se utilizei a expressão fanfiction foi por uma boa razão, é que a escrita deste jogo é pura fanfiction para os fãs que adoram os romances e os momentos mais íntimos antes do combate. E admito, foram as melhores partes do jogo, gostei de me investir nas personagens e de apostar num romance com a Josephine.
E agora comecei o Andromeda, espero que corra melhor…

Quero este jogo…

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