Persona 5 Strikers | Nintendo Switch

Tenho uma pergunta: por que raio os Warriors que joguei baseados em anime eram maus e os baseados noutras séries de jogos eram bons?
Até pode ser uma coincidência daquelas, mas achei o Arslan: The Warriors of Legend e os Pirate Warriors muito fraquinhos, confusos, desinspirados, apenas com a estampa Warriors em cima; já o Hyrule Warriors, Fire Emblem Warriors e este Strikers ou Scramble foram fantásticos, puro caos, com estórias originais que nos deixaram brincar naqueles mundos de uma forma diferente a que nos habituaram.

As melhores coisas caem-me no colo de forma inesperada; o primeiro contacto com a série Persona foi furtivo como o seu tema: saí do trabalho já de noite, fui até à última estação da linha azul e comprei-o a alguém que o havia terminado e não o queria mais. Cheguei a casa, meti-o na consola e convidei-me a um mundo que não adivinharia ter tantas saudades até esta sequela. Tive mesmo saudades daquele grupo de amigos e os primeiros momentos de Strikers foi como voltar a vê-los depois de um monte de tempo separados – como a arte imita tão bem a vida.
E enquanto se matam saudades com caril e café, coisas acontecem ou não haveria razão para este jogo: surgem novas personalidades a mudar os corações dos seus seguidores, um feito que julgavam impossível após o desfecho da prequela, mas a verdade é que está a acontecer e os suspeitos são o gangue do costume.
Para limparem o nome, os Phantom Thieves aliam-se ao agente Zenkichi e à I.A. Sophia para investigarem, a fundo, estes acontecimentos que estão a surgir um pouco pelo país. E sim, é a desculpa perfeita para se porem a andar ou o tal episódio de praia de todos os anime.

Alguma coisa errada não está certa…

Strikers é uma road trip saudosista.
Quando não estamos a combater, estamos a visitar várias cidades japonesas, a conhecer novas culturas e a provar a gastronomia local; estamos a reflectir no ano que passou, nos exames a chegar, na universidade e no facto de estarmos a crescer e o que isso implica nas nossa relações de amizade ou com o resto das pessoas – também pode ser uma viagem de autodescoberta. Podia ficar aqui a remoer nos sentimentos profundos deste jogo, mas a verdade é que senti várias coisas, especialmente aquele sentimento quente de pertença e de sermos aceites num grupo tão disfuncional como nós.
Mas como é o jogo? É fenomenal! Quem diria que Persona funcionaria tão bem como musou? Caminha bem no meio das duas séries, combinando o combate livre e frenético, a jogabilidade rápida e o fanservice de controlarmos as nossas personagens favoritas com as influências certeiras de Persona, como a exploração de vulnerabilidades, os turnos extra, a aquisição e fusão de novos persona, a componente social (agora sem Confidant, mas com Requests para explorar as ligações com os amigos), entre tantas outras.
É um jogo que refina a fórmula familiar dos Warriors, dando-lhe mais liberdade e outro ar, mas que limita um pouco a de Persona que, afinal, não joga em casa. São várias as mecânicas, locais, personagens etc que não existem neste jogo, mas que também não fazem falta. Estamos à vontade, mas não à vontadinha.
Joguei-o numa Switch Lite, tive zero problemas de desempenho, alternei entre o áudio japonês e dobrado (preferi este) e a minha única queixinha vai para a confusão do ecrã principal que tem demasiada informação e podia ser mais limpo; podemos remover alguma e o resto ignoramos por hábito.

Menos é sempre mais…

Sabem, disse isto a um amigo e vou escrevê-lo aqui: Persona 5 Strikers não parece um Persona normal; tem o estilo, o charme, a banda sonora orelhuda, os persona, as personagens e nem parece um Warriors normal, tem o combate e as mecânicas de evolução, mas as áreas abertas passaram a mapas mais lineares e com puzzles de progressão. Senti-o mais na onda de um Kingdom Hearts devido ao design linear, ao foco no estória e às subtilezas do combate. E isto não é um ponto negativo, pelo contrário… considerem-no um convite para mais séries emularem este espírito ao saltarem para o jardim dos musou.
Adoraria explorar mais séries neste género, mas com amor e brio na sua concepção. A vantagem dos Warriors passa por permitir ao jogador fazer coisas que não podem ser feitas nos jogos originais, como controlar outras personagens e arriscar outra jogabilidade, mas o ponto vencedor acaba por ser a estória. Se seguirem o original, especialmente se for uma série de quase mil episódios, vão ter de cortar tantos cantos para ficar com trapos. Agora, se optarem por uma estória original, paralela ou sequela, eu digo para a mandarem vir. E depois deste Persona 5 Strikers que me fez sentir as lágrimas em certos momentos, queria era mais aventuras com o grupo porque recuso-me a deixá-los ir de novo – tanto que fiz asneiras e comprei logo a versão Royal…, mas hush.

Bai bai

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