NieR Replicant ver.1.22474487139 | Series X

Costumo associar bons jogos a boas memórias e a minha introdução à série foi quando faltou a luz no trabalho e tivemos de acabar em casa. Ainda consegui passar numa Worten e aproveitar a promoção do Automata que me ficou a menos de vinte euros – uma pechincha, tendo em conta o quanto me encheu e me esvaziou de lágrimas. Cheguei a casa, mas só à noite é que pude jogar.
Amei-o e até arranjar o Nier original foi um pulo, mas demorei-o a acabar com todos os seus finais de estória; depois veio este. E vamos já esclarecer uma coisa, ainda SÓ tenho dois finais, mas vou fazer uma pausa para acabar um jogo e volto para os restantes. Adoro demasiado a estória de Nier para me cansar dela porque, aqui entre nós, a jogabilidade é enfadonha.

Está dito, não peço desculpa. Eu adoro a cabeça do Yoko Taro, as estórias, os temas, as personagens, como tudo é rematado por uma triste banda sonora de extrema qualidade, mas a jogabilidade é aborrecida e cansativa, recorrendo à muleta das fetch quests para prolongar as horas de jogo quando temos de o repetir várias vezes para assistir a todos os finais, uma técnica que não me cai bem no goto, mas é o que é. O próprio Weiss comenta essa estrutura e a repetição várias vezes, o que me fez adoptá-lo como animal ou livro espiritual. Muitas nem são obrigatórias, mas quando a missão principal e um dos finais é quase uma fetch quest, entende-se a razão do envolvimento da Platinum na sequela.
Ainda assim, calhou a este Nier ser Replicant, mas também podia ser Refinado porque passou a ferro muitas das rugas do primeiro jogo. A primeira grande ruga: o combate; a segunda grande ruga: os visuais; a terceira grande ruga: as personagens – e eu estou no campo dos que preferem o Papá Nier ao Mano Nier por se destacar das muitas personagens bishonen; o primeiro era alguém com experiência, rugas e pêlo na venta, mas rapidamente me habituei ao “novo” protagonista.

Manos Nier.

O combate continua a não ser o forte deste jogo, mas agora desliza e consegue satisfazer com um vasto arsenal de armas e magias que podemos combinar e alternar para enfrentar os vários bosses ou os festins bullet hell.
Apesar de achar o restante gameplay loop aborrecido, tenho de valorizar os riscos do Taro quando decide tornar Nier num jogo de plataformas, num jogo isométrico, num shooter ou numa aventura de texto, São estes pequenos grandes toques que nos deixam a adivinhar o que virá a seguir e a querer mais.
Não obstante a forma de jogo, vamos é estar a jogar para absorver a escrita. E é impossível não nos vermos, ou vivermos, nos seus temas: morte, sacrifício, preconceito, rejeição, aceitação, amizade, o que quiserem; infelizmente, o mundo de Nier não é um mundo feliz, mas no meio de tanta miséria, a esperança e a felicidade conseguem espreitar num dos seus vários finais. Ou quando o Emil está em cena e eu dou a minha vida pelo Emil...
Como linguista, reconheci a importância dada à palavra em Nier. Seja nas várias palavras que obtemos para equipar nas armas/magias; nas várias palavras que compõem as estórias das armas; nas palavras do outro que passamos a entender na segunda volta do jogo; nas palavras que ferem as crianças; nos palavrões que servem como escudo; nas palavras pesadas de simbolismo.

Joguei-o na Series e apesar de tudo estar lindo e maravilhoso, notei que a mistura de som não é das melhores num sistema de som surround; o que é uma pena porque foi dos poucos jogos que me fez reduzir o volume de tudo, menos da banda-sonora porque me lembro muito bem de a ouvir antes de saber o que raio era um Nier sequer.
Agora, o que peço?, que os Drakengard tenham o mesmo tratamento e estejam mais acessíveis. E que o Taro continue a ser prolífico e venha a ser mais respeitado na indústria. Tenho-o a ele, e ao George Kamitami (Odin’s Sphere e Aegis Rim), em excelente consideração e quaisquer jogos deles serão para adquirir e saborear o mais rápido possível porque ou vão desaparecer ou serão lançadas poucas unidades, mas ambos podiam criar melhores indumentárias para as suas personagens femininas. Enfim, não se pode ter tudo…

🙂

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