Resident Evil 3 | Series X

Eu e o Resident Evil 3. O Resident Evil 3 e eu.
Já devo ter dito que o terceiro jogo é o meu favorito da série, muito pelas memórias associadas à introdução que passava em loop na montra de uma loja de brinquedos no Montijo. Eu nem morava perto da zona, mas quando ia à biblioteca ficava lá alguns minutos a ver a abertura que só alimentava a minha paixão pelas tropes do género – aquela sequência que metia o exército dos mortos-vivos contra a última resistência humana era qualquer coisa.
Anos mais tarde, quando as revistas ainda publicavam guias completos, devorei o do Resident Evil 3 durante umas férias de verão como se fosse um romance normalíssimo.

Só anos mais tarde é que pude jogar. Agora, não me recordo se joguei a versão original ou se o port na GameCube, mas recordo-me de ter jogado tantas vezes, e no modo mais difícil, porque ainda tinha tempo para perder e recomeçar N vezes. E passaram-se mais anos…
Até ao remake do RE2! Que foi tão bom que o pessoal ansiou pelo terceiro com o mesmo tratamento e, para não falhar comigo mesmo, joguei-o outro tempo depois. Em parte, porque as opiniões dividiam-se; por outra, porque queria arranjar a versão da Series.

Vamos ao mau: nada! Hum, tenho mesmo de ser imparcial no meu próprio site? Pronto. Trocaram a icónica frase: You want stars, I’ll give you stars do final para o início e alteraram-na. Não é um grande problema, mas essa frase é uma das melhores pretendentes ao trono das one liners cheias de queijo! Tivemos outra no final, mas tão longe do impacto desta.
O jogo é curtinho. É curto e grosso e literalmente dá a volta ao pescoço até estrangular. Isto porque retiraram algumas secções do original, mas como já não me lembro, não posso opinar muito. Sim, o jogo está mais linear sem os momentos de escolha, o Nemesis não aparece aleatoriamente nem temos finais alternativos – e só descobri agora que existe um final com o Barry! Mas funciona, e em momento algum me senti aborrecido. E assim, sempre dá para repetir nos vários modos e para ganhar mais coleccionáveis.

Panic on the Streets of Raccon

O bom é todo o resto, dos visuais ao próprio desempenho. Isto na Series está do caraças e ver a “nossa” Raccoon quase real é de uma imersão incrível.
Na análise ao Resident Evil VIII, perguntei o que era Resident Evil para vocês e a minha resposta foi:

Desde muito cedo que associo Resident Evil a zombies.

A resposta continua a mesma e suspeito que continuará, apesar de aceitar o que me servirem no prato.
E uma coisa positiva destes remakes foi o foco nos mortos-vivos; ainda temos os B.O.W., só que em menor número e mais perigosos.
O novo motor é simplesmente fantástico para combater as hordas que, apesar de lentas, não estão para brincadeiras. Eu estou e uma rajada nas pernas é o suficiente para as deixar a rastejar no chão e contorná-las. E a nova mecânica de esquivar/esmurrar? Ui.
Disse acima que o Nemesis já não aparece quando lhe dá na gana e admito que isso é um ponto positivo. Tem piada uma vez quando aparece o Mr. X, mas à décima vez enquanto tentamos resolver um puzzle é só chato; este aparece em momentos específicos e mais cinematográficos que alternam entre cenas de fuga ou confrontos directos que me deixaram sentado na ponta do sofá, menos à Jill que já estava fartinha.

Uma esfregona

Ver filmes ou jogar algo sobre vírus, pandemias e vacinas tem a sua piada nos dias de hoje.
Quem nunca acusou personagem X ou Y de ser burra por agir desta ou daquela maneira para agora vermos pessoas bem reais a fazer o mesmo ou pior na mesma situação?
Ainda não estamos a lidar com zombies, mas com o histerismo, pânico, agressividade e ignorância das pessoas. Ao passo que existem as boas que nos dão o casaco do corpo e nos estendem as mãos, também nos deparamos com as ruins que não olham para cima do próprio umbigo – ainda falo do jogo (ou não?).
Já perto do final, quando as personagens começaram a falar de uma vacina contra o T-Vírus, não pude deixar de rir com os paralelismos da actualidade: o vírus transforma-nos em zombies?, mas conheces alguém que se tenha transformado?; Isso é uma conspiração do governo (shiu) para nos manipular (mau…); no máximo, ficas com fome durante alguns dias.; vacina? Não me acredito, isso tem chips e também serve para nos controlar; foi criada em pouco tempo; que provas temos de que funciona; e os efeitos secundários?! Vou parar por aqui.

Não há muito mais que possa dizer para vos recomendar o RE3; se acharem o preço muito caro para as horas de jogo, ele está várias vezes em promoção e ainda inclui um modo adicional se tiverem interesse.
Agora fico à espera do remake do Code Veronica antes de acabarem a nova trilogia com o IX. Ou mesmo do IV. Ou dos Outbreaks – já imaginaram uma nova entrada com todas estas afinações? Escolher a personagem, explorar ainda mais Raccoon e tentar sobreviver? Por que raio perdem tempo com estes modos tolos se já têm um desde a PS2?

Que dia.

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